Summer program
com bolsa integral
Os programas de verão que selecionam e pagam o estudante, e não o contrário. Com a lista dos que aceitam brasileiro que mora no Brasil, dos que excluem sem avisar, e do que dá para fazer sem sair do país.
O que você vai aprender
10 seções de conteúdo prático e verificado para a sua candidatura internacional.
Existe, sim, quem pague o seu verão
E a maior parte da energia deste guia está em separar esses programas dos que apenas parecem ser.
Um summer program com bolsa é um programa temático de verão, quase sempre de ciência, matemática, tecnologia, humanidades ou liderança, que seleciona os participantes por mérito e cobre os custos de quem entra. Alguns cobrem a taxa. Outros cobrem taxa, moradia e alimentação. Os melhores cobrem tudo isso e ainda a passagem.
Eles existem, são reais e todo ano recebem estudantes brasileiros. Mas a lista que circula em português está cheia de programas que excluem o brasileiro por uma linha de elegibilidade que ninguém lê, e de programas que aceitam o brasileiro mas não financiam o brasileiro. Este guia separa as três coisas antes de você gastar meses numa candidatura impossível.
Degrau 1, aceita internacional: você pode se candidatar. Só isso. Pode ser que pague tudo do próprio bolso. Degrau 2, financia internacional: existe auxílio e ele alcança quem mora fora. Muda a conta, mas o pedido de bolsa às vezes pesa na decisão. Degrau 3, é need-blind para internacional: a candidatura é lida sem que ninguém saiba se você pediu dinheiro, e a bolsa é decidida depois. Este é o degrau que iguala o jogo, e é raro. Quando um programa não diz em qual degrau está, assuma o primeiro.
O estudante americano de baixa renda tem uma constelação de programas gratuitos desenhados para ele. O brasileiro compete pelo grupo bem menor dos que abriram a porta para fora. A boa notícia é que esse grupo menor costuma ser menos disputado por brasileiros, justamente porque quase ninguém aqui sabe que ele existe.
Os que aceitam brasileiro
Cada um verificado na página oficial em agosto de 2026, com a frase que sustenta a classificação.
Esta é a lista curta e honesta. Não é uma lista de tudo que existe, é a lista do que nós lemos na fonte e conseguimos confirmar. Confira sempre o ciclo vigente, porque prazo de programa muda e página oficial demora a atualizar.
Canada/USA Mathcamp
O mais aberto ao brasileiro que encontramos. A admissão é lida sem olhar dinheiro para absolutamente todo mundo, internacional incluído, e depois de admitido o programa se compromete a cobrir 100% da necessidade demonstrada, com bolsa integral e ajuda de passagem para quem não pode pagar o transporte.
- ✓Taxa de US$ 0 a US$ 7.500, conforme o auxílio
- ✓Não exige TOEFL, só conforto com inglês
- ✓O programa ajuda no processo de visto
- ✓13 a 18 anos
Prazo em 23 de fevereiro, resultado em 17 de abril.
TASS, do Telluride Association
Em Cornell e na Universidade de Maryland. Cobre todos os custos do programa para todo estudante: taxa, livros, moradia, alimentação, excursões. Ajuda com viagem para quem precisa, e faz algo que não vimos em nenhum outro lugar: repõe financeiramente o ganho de quem precisaria trabalhar no verão.
- ✓Pedir auxílio não afeta a decisão de admissão
- ✓Internacional que estuda fora dos EUA precisa estar no 1º ano do ensino médio na candidatura
- ✓Quem estuda nos EUA ou tem passaporte americano pode estar no 1º ou no 2º
Prazo em 3 de dezembro, para o verão seguinte. Repare na regra de série: ela é mais apertada para você do que para o americano.
Notre Dame Leadership Seminars
Residencial e totalmente financiado pela universidade, com aceitação de estudante internacional. Cobre ensino, moradia e alimentação de todos os admitidos.
- ✓Penúltimo ano do ensino médio
- ✓Pelo menos 16 anos na data de corte, sem exceção
Inscrições abrem em outubro e fecham em 21 de janeiro.
Summer Science Program
Astronomia, bioquímica ou genômica, com pesquisa real e produto no fim. A taxa cheia é US$ 11.800, mas o programa se compromete a cobrir 100% da necessidade demonstrada de todo admitido, e isso pode incluir passagem de ida e volta. Renda familiar abaixo de cerca de US$ 100 mil costuma resultar em gratuidade mais despesas de viagem.
- ✓A necessidade financeira não entra na decisão de admissão
- ✓Internacional pede o auxílio no momento da admissão, com documentos traduzidos
- ✓Abaixo de ~US$ 140 mil, desconto parcial
Só em 2025 foram mais de US$ 3 milhões em descontos, US$ 208 mil em auxílio de viagem e US$ 102 mil em estipêndios.
National Youth Science Camp
Acampamento científico na Virgínia Ocidental que recebe dois delegados por estado americano e também delegações internacionais, em parceria com o Departamento de Estado dos Estados Unidos. Moradia, alimentação, transporte e materiais são fornecidos sem custo ao participante.
- ✓O Brasil está entre os países que já enviaram delegados
- ✓Quem seleciona é a Embaixada dos EUA no seu país, e cada país tem seu processo
- ✓16, 17 ou 18 anos na data de corte e inglês falado com fluidez
- ✓Entrada pelo visto J-1, e a Embaixada ajuda com ele se você for selecionado
A lista de países de cada ciclo é definida pelo Departamento de Estado e anunciada a cada ano. Não peça o visto por conta própria antes do resultado.
RSI, no MIT
Gratuito para o participante e reunindo 100 alunos por verão, é o mais reconhecido da lista. Mas para internacional a porta depende de o seu país ter processo próprio, e o CEE não publica a lista de países participantes.
- ✓Só quem está no penúltimo ano
- ✓Último ano não pode, sem exceção
Escreva ao CEE perguntando se o Brasil participa, antes de investir na candidatura.
TechGirls
Iniciativa do Departamento de Estado dos Estados Unidos para jovens mulheres de 15 a 17 anos, com tech camp numa universidade, acompanhamento profissional e imersão cultural. O Brasil está na lista oficial de países elegíveis, na região do Hemisfério Ocidental.
- ✓Cobre a experiência nos Estados Unidos
- ✓Voltado a meninas de 15 a 17 anos
Em agosto de 2026, com a janela do ciclo já encerrada, a página de candidatura estava fora do ar. Confirme a abertura do próximo ciclo antes de organizar a sua candidatura em torno dele.
Quase todo programa americano define a elegibilidade pelo grade, e a tradução errada elimina candidato todo ano. A regra é simples: o 9th grade equivale ao 9º ano do fundamental, e a partir daí 10th grade é o 1º ano do ensino médio (sophomore), 11th é o 2º ano (junior) e 12th é o 3º ano (senior). Então quando um programa diz rising senior ou current junior, ele quer quem está no 2º ano aqui. E preste atenção às regras que mudam para internacional: no TASS, o americano pode ser sophomore ou junior, mas quem estuda fora dos Estados Unidos precisa ser sophomore, ou seja, 1º ano. Quem descobre isso no 2º ano já perdeu.
Os que excluem, e não avisam na capa
Programas gratuitos, famosos e citados em toda lista brasileira, que o brasileiro no Brasil não pode fazer.
Nenhum desses programas está enganando ninguém: todos publicam a regra. O problema é que a regra fica em uma linha, no meio da página de elegibilidade, enquanto o nome do programa circula em vídeo, post e lista de oportunidade sem nenhuma ressalva.
O Brasil é Estado Membro Associado do CERN desde março de 2024, o primeiro país das Américas, e isso é verdade e é ótimo. Só que a porta que se abriu é a da graduação e da pós, através do Summer Student Programme e dos programas para estudantes universitários. O programa de estágio para ensino médio era outra coisa: funcionava por comitês nacionais, no idioma de cada país, e a lista era europeia. Hoje o portal do CERN oferece apenas job shadowing para secundarista, com duas condições que eliminam quase todo brasileiro: o estágio precisa ser obrigatório no currículo da escola e a escola precisa assinar o acordo com o CERN. O próprio CERN, na página oficial, recomenda procurar institutos de pesquisa e universidades locais. Se você quer o CERN, o caminho existe: ele começa na graduação, e está no nosso Guia de Escola de verão.
Programa que circula em lista brasileira de oportunidade gratuita e exclui o brasileiro por um critério que ninguém lê: PAEC OEA-GCUB, que traz estrangeiro para o Brasil; Kennedy-Lugar YES, cuja lista de países não inclui o Brasil; DAAD RISE, que exige matrícula em universidade da América do Norte, do Reino Unido ou da Irlanda; a cota de viagem da EMBO, restrita a quatro países; e agora MITES e SIMR. Antes de sonhar, procure na página as palavras eligibility, citizens, permanent residents e participating countries.
Quem ensina você a escolher está vendendo alguma coisa?
Um cuidado de leitura que vale para este guia também, e que você deveria aplicar a ele.
Lemos dois vídeos populares sobre programas de verão internacionais, do mesmo canal, um de 2023 e outro de abril de 2026. Os dois fazem uma análise honesta e útil dos programas pagos. E os dois terminam vendendo o mesmo produto da própria criadora, um programa pago de pesquisa online.
O de 2026 é o mais engenhoso: ele lista com precisão as desvantagens dos recursos gratuitos, que são reais (não há mentoria, não há estrutura, não há validação nem certificado), e usa exatamente essa lista para apresentar o produto próprio como o meio termo entre o gratuito e o programa de dez mil dólares. Nada disso é ilegal nem imoral. É publicidade, e publicidade é legítima. O problema é o aluno ler aquilo como conselho neutro.
1. Chegue até o fim. Se aparece um link de inscrição de um programa do próprio autor, releia tudo sabendo disso. 2. Veja se ele cita elegibilidade. Quem realmente estudou o programa fala de quem pode e quem não pode entrar. Quem só está listando nome fala só de prestígio. 3. Veja se ele cita número com fonte. Custo, prazo e taxa de seleção com a página oficial atrás é trabalho; adjetivo superlativo é marketing.
A Iuvenis vende mentoria, e você deveria ler este guia com essa informação na mão. Nossa defesa é a mesma que pedimos dos outros: todo número aqui tem uma fonte oficial atrás, e quando a fonte não confirma, nós escrevemos que não confirma. Se encontrar um dado sem essa cobertura, ou desatualizado, escreva para a gente que corrigimos.
A conta escondida da candidatura
Programa de graça pode custar caro antes mesmo do resultado sair.
Muita gente descobre tarde que a candidatura tem custo próprio, independente da bolsa. As taxas de inscrição de programas de verão giram entre US$ 50 e US$ 100 cada. Quem se candidata a quatro programas gasta de US$ 300 a US$ 400 antes de saber se entrou em algum.
Procure a palavra fee waiver na página. A maioria dos programas sérios tem isenção por necessidade, e muitos nem exigem comprovação pesada. É a economia mais fácil de conseguir e a que menos gente pede.
Alguns cobram à parte para analisar o auxílio financeiro. O SUMaC de Stanford, por exemplo, cobra US$ 60 pelo pedido, com isenção possível. Some isso ao planejamento.
Histórico escolar e documentos financeiros costumam precisar estar em inglês. Nem sempre exigem tradução juramentada, e essa pergunta feita por e-mail pode economizar algumas centenas de reais.
Mesmo com bolsa integral, a passagem e as taxas consulares podem não estar cobertas. Confira se o programa dá auxílio de viagem e peça no mesmo formulário da bolsa.
Cada candidatura séria consome semanas de redação e a paciência de dois professores. Escolha três ou quatro programas com afinco em vez de dez às pressas.
Mande um e-mail ao programa perguntando: Do you offer application fee waivers, and does your financial aid cover international travel? Duas informações que mudam a conta inteira, numa frase só, e a resposta costuma vir em dois dias.
O que dá para fazer sem sair do Brasil
Caminhos nacionais, gratuitos, com bolsa, e que constroem exatamente o que o comitê estrangeiro procura.
Se a conta internacional não fecha este ano, isto aqui não é o prêmio de consolação. É frequentemente o caminho mais forte, porque dura mais de duas semanas e produz continuidade, que é a coisa mais difícil de simular numa candidatura.
PIC da OBMEP
O Programa de Iniciação Científica Jr. é oferecido a alunos premiados na OBMEP, na modalidade presencial ou virtual conforme a região. O CNPq concede incentivo financeiro mensal, mas apenas a quem estiver matriculado em escola pública da educação básica durante o programa.
Na edição 2026, a confirmação de inscrição ia até 23 de fevereiro.
PROVOC, da Fiocruz
Criado em 1986 na Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio. Tem a etapa Iniciação, de 12 meses, e a Avançado, de 22 meses, em que o aluno desenvolve um projeto de pesquisa do início ao fim. A inscrição é feita pelas instituições conveniadas.
Seleção de março a junho, atividades começando em agosto. Bolsa PIBIC-EM para escola pública federal e estadual.
Iniciação científica júnior
Universidades federais e estaduais recebem alunos de ensino médio em laboratórios, muitas vezes com bolsa. O caminho é procurar o departamento da sua área na universidade mais próxima e escrever para um professor com uma pergunta específica.
Pela tabela oficial do CNPq, a Iniciação Científica Júnior paga R$ 300 por mês e a Iniciação Científica paga R$ 700.
Porque o comitê lá fora não avalia o endereço, avalia a trajetória. Um aluno que passou doze meses num projeto, aprendeu o método, errou, refez e apresentou o resultado tem uma história que nenhuma imersão de duas semanas produz. E tem algo que vale ouro numa candidatura internacional: um professor orientador que pode escrever uma carta de recomendação específica, com exemplos, em vez de um formulário genérico. Se você conseguir os dois, o programa lá fora e o projeto aqui, melhor ainda: o projeto brasileiro costuma ser justamente o que faz a sua candidatura ao programa internacional se destacar.
O calendário de quem quer bolsa
Os prazos de bolsa fecham antes dos prazos de candidatura, e é aí que a maioria perde o ano.
O verão do hemisfério norte é de junho a agosto, e as candidaturas com bolsa fecham entre dezembro e março do ano anterior. Repare nas datas verificadas: TASS em 3 de dezembro, Notre Dame em 21 de janeiro, SUMaC em 9 de fevereiro, Mathcamp em 23 de fevereiro, PIC da OBMEP em 23 de fevereiro, Ross em 8 de março.
Se você está lendo isto e os prazos deste ciclo já passaram, não force uma candidatura correndo. Programa que ainda aceita inscrição em maio quase sempre é o que aceita todo mundo, e portanto não é o que este guia está descrevendo. Use os meses restantes para construir o projeto no Brasil que vai deixar a sua candidatura do ano que vem inteiramente diferente.
Como fazer uma candidatura que ganha bolsa
O que separa a candidatura que é aceita da que é aceita e financiada.
Nos programas need-blind, as duas decisões são separadas e a segunda é quase automática depois da primeira. Nos outros, elas conversam, e é por isso que a documentação financeira precisa ser tão caprichada quanto a redação.
Não sobre o quanto ama a área. Um problema concreto que você tentou resolver, o que deu errado e o que quer entender melhor vale mais que qualquer declaração de paixão.
Peça com quatro semanas e entregue um resumo do que você fez na disciplina, com exemplos e datas. Carta genérica não distingue ninguém, e o professor brasileiro raramente sabe o padrão esperado lá fora.
Auxílio costuma ser por ordem de chegada e acaba. Traduza tudo para o inglês, inclusive o imposto de renda dos pais, e não deixe campo em branco.
Bolsa integral quase nunca inclui passagem, e quando inclui é preciso marcar uma caixa específica no formulário. Pergunte por e-mail e marque a caixa.
Preencher o pedido de auxílio pela metade, com medo de parecer necessitado. Nos programas deste guia, a necessidade financeira não conta contra você, e vários dizem isso por escrito na própria página. O que conta contra é o formulário incompleto, que costuma ser descartado sem análise.
Perguntas frequentes
As dúvidas que mais aparecem, respondidas com o que está publicado nas fontes oficiais.
Checklist
A coluna da esquerda é a que evita meses de trabalho jogados fora.
Que seja esta: a pergunta certa não é quanto custa, é quem paga. Programa que cobra seleciona quem pode pagar. Programa que paga seleciona quem ele quer ver crescer. Você quer estar na segunda lista, e ela é bem menor, bem mais disputada e bem mais valiosa. E, se este ano ela não abrir para você, o laboratório da universidade mais próxima abre o ano inteiro.